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O Ibovespa Futuro começou esta terça-feira (1º) praticamente estável, em uma sessão marcada pela divulgação de indicadores importantes da economia brasileira e pela forte influência do cenário internacional.

Às 9h12, o contrato com vencimento em outubro registrava alta de 0,06%, aos 180.140 pontos. Entre os principais assuntos acompanhados pelos investidores estão o resultado do PIB brasileiro no segundo trimestre, o Projeto de Lei Orçamentária de 2027 e a retomada das conversas comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

No exterior, a tensão geopolítica voltou a aumentar a aversão ao risco. A retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã elevou os preços do petróleo e trouxe novamente preocupações sobre inflação e trajetória dos juros nas principais economias.

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PIB abaixo do esperado levanta alerta entre economistas

PIB brasileiro cresce 0,5% no segundo trimestre

PIB
Imagem: Rmcarvalho / Getty Images

Um dos principais dados domésticos do dia é o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB).

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores. O resultado indica continuidade da expansão, mas também reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica ao longo do ano.

Para o mercado financeiro, o comportamento do PIB é relevante porque influencia as expectativas para inflação, juros e lucros das empresas.

Uma economia que cresce acima do esperado pode sustentar resultados corporativos e favorecer ações ligadas à atividade doméstica. Por outro lado, uma desaceleração mais intensa pode aumentar as apostas em cortes de juros, o que tende a beneficiar setores mais sensíveis às taxas, como varejo, construção civil e empresas endividadas.

Orçamento de 2027 entra no radar dos investidores

Outro ponto importante é a proposta do Orçamento de 2027, apresentada pelo governo federal ao Congresso Nacional.

O Projeto de Lei Orçamentária prevê um superávit primário de R$ 18,6 bilhões quando consideradas todas as receitas e despesas primárias. Pelo critério ajustado previsto no regime fiscal, o resultado chega a R$ 83,4 bilhões, acima da meta de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB.

O projeto também estabelece um limite de R$ 2,576 trilhões para as despesas primárias em 2027. O valor representa aumento de 7,7% em relação ao limite de 2026.

O salário mínimo projetado para o próximo ano é de R$ 1.741. Como o valor influencia despesas previdenciárias e outros benefícios, a estimativa também é acompanhada de perto pelo mercado.

A reação dos investidores ao orçamento depende principalmente da percepção sobre a capacidade do governo de cumprir as metas fiscais e controlar a trajetória da dívida pública.

Negociações entre Brasil e Estados Unidos são retomadas

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos também permanecem entre os principais fatores de risco para empresas brasileiras.

Os governos dos dois países retomaram o diálogo sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em 31 de agosto, representantes do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços se reuniram virtualmente com o representante comercial americano Jamieson Greer para tentar avançar nas negociações.

O tema é especialmente importante para empresas exportadoras. Segundo o MDIC, medidas tarifárias americanas alcançam diferentes parcelas das exportações brasileiras, enquanto uma parcela significativa dos produtos continua sujeita apenas às tarifas ordinárias.

Para a Bolsa, qualquer sinal de acordo ou redução das barreiras pode melhorar as perspectivas para companhias expostas ao mercado americano. Em sentido contrário, novas medidas protecionistas podem pressionar margens, vendas e investimentos.

Tensão no Oriente Médio eleva preço do petróleo

No mercado internacional, os investidores acompanham a retomada dos confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã.

A preocupação central está relacionada ao petróleo. O aumento do risco de interrupções no fornecimento pode elevar as cotações da commodity e, consequentemente, pressionar a inflação global. Na manhã desta terça-feira, os contratos futuros do Brent chegaram a superar US$ 91 por barril.

Esse movimento complica o cenário para os bancos centrais. Petróleo mais caro pode aumentar as pressões inflacionárias e reduzir o espaço para cortes de juros.

Ao mesmo tempo, empresas produtoras de petróleo podem se beneficiar de preços mais elevados. É justamente por isso que movimentos do petróleo podem provocar efeitos diferentes entre as ações negociadas na B3.

Bolsas internacionais operam em baixa

O ambiente externo começou o dia mais negativo. Nos Estados Unidos, os contratos futuros de Wall Street recuavam antes da abertura dos mercados, enquanto investidores monitoravam os juros dos títulos públicos e os efeitos da alta do petróleo.

Na Ásia, o desempenho também foi misto. O Nikkei 225, do Japão, caiu 0,15%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,23%. Na China continental, o CSI 300 terminou o pregão com baixa de 0,30%.

O movimento dos títulos japoneses também chamou atenção. O rendimento do título de 10 anos chegou a 3%, maior nível desde 1996, antes de recuar parcialmente. A alta está associada às expectativas sobre uma política monetária mais restritiva no Japão.

Dólar e commodities completam o cenário

dolar
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O dólar futuro também era monitorado pelos investidores brasileiros. No início dos negócios, a moeda apresentava oscilação moderada, enquanto o mercado avaliava simultaneamente os riscos externos e os dados econômicos domésticos.

Além do petróleo, o minério de ferro também permaneceu no radar. Na China, os preços encerraram o dia com leve alta, em meio à avaliação sobre o volume de embarques internacionais e sinais de atividade industrial no país.

Para o Ibovespa, esse conjunto de fatores cria uma sessão de elevada sensibilidade. De um lado, o crescimento do PIB e possíveis expectativas de juros menores podem favorecer ativos brasileiros. De outro, petróleo mais caro, tensão geopolítica, juros internacionais e incertezas comerciais podem limitar o apetite por risco.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital


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